Festival de Filosofia de Abrantes

festival de filosofia 2022

No essencial somos todos urbanos e estamos todos ligados: local e global, indivíduo e humanidade.

A cidade, uma das maiores realizações humanas, é o espaço de contradições e ambiguidades onde nasceu a política e a filosofia. Repensá-la é tarefa de todas as épocas e para ter futuro a cidade tem de ser o lugar por excelência da liberdade e das relações entre iguais.

A cidade é o reflexo das estruturas sociais que a habitam e tem de dar respostas sustentáveis aos seus anseios, em contínua mudança. Segundo Henri Lefebvre o “Direito à Cidade”, local de encontro e potencial conflito, pressupõe uma condição humanista de efetiva participação democrática.

No mundo atual ninguém é uma ilha e também as cidades são sempre parte integrante de redes. Como centros de poder, elas geram e gerem poder e alavancam o desenvolvimento regional e nacional.

As cidades cooperam, mas também concorrem entre si, por isso, a sua atratividade tem muito a ver com as leis da oferta e da procura e com as oportunidades que proporcionam. Ambiente, segurança, trabalho, educação, cultura, habitação, mobilidade e comunicações são fatores diferenciadores.

Na afirmação das cidades conta mais o seu capital humano do que as suas infraestruturas. Serem capazes de capacitar, estimular a criatividade e a inovação e tornarem-se lugares de convergência e afirmação de novas aspirações e desejos, é absolutamente determinante.
 

A capacidade de comunicação é outra dimensão decisiva. O território e o próprio conceito de urbano estão para além da cidade. Esta é a sua realidade, mas também a sua ficção, a forma como é percecionada numa busca identitária entre global e local, macro e micro, num ambiente de concorrência desenfreada, em que a identidade é mais que a imagem. Cidade e marca têm os mesmos processos de afirmação, mas a comparação é redutora. A cidade é uma entidade significante complexa, onde se cruzam humano, político, económico, social, cultural, urbano, turístico, educativo, ecológico…

A estratégia identitária é um elemento prévio ao seu próprio sistema de signos e assenta num projeto identitário apoiado numa “linha de verdade” e no reconhecimento geral, nunca sendo condicionada pelos mitos fundadores, mas sim apostando na renovação da mitologia da cidade em contextos diferentes. Em qualquer caso, entendendo o citybranding como o encontro entre o que a cidade é e a intenção estratégica que temos para ela.

Assumindo um posicionamento diferenciador em que assentam hoje complexas combinações de bens e serviços, estruturadas por referência a unidades territoriais mais ou menos alargadas, as cidades enfrentam um duplo desafio: procurar a adesão do público interno e a atração de públicos externos.

Muitas cidades se afirmam hoje como boas para trabalhar, investir, estudar e viver, independentemente da ordem dos fatores. Efetivamente, a convergência entre capacidade de produção de riqueza, educação, lazer, criatividade, conhecimento, cultura e inovação, num mesmo ecossistema, é a chave da atratividade e da afirmação de uma cidade e do seu território como de referência, em contraposição com uma ideia de competitividade que faz cada vez menos sentido num mundo de redes de complementaridade e cooperação, em que cada um é capaz de encontrar o seu lugar, pela sua especificidade, especialização ou modo de fazer e de ser. Isso é a marca.

Mais informações aqui

Datas
2022-11-17 14:00 - 2022-11-19 20:00
Todas as datas
  • De 2022-11-17 14:00 a 2022-11-19 20:00
Local
Biblioteca Municipal António Botto
Telefone
241330100
E-mail
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